Desde que cheguei a Lisboa, sempre tive uma relação muito próxima com Alfama, não só pelo facto de viver muito perto desta zona, mas também porque sempre adorei de lá ir fotografar. As ruas muito estreitas e todos os detalhes de um bairro tão rico em termos de cultura, criam enquadramentos únicos. Através de todas estas visitas, fui criando amizades com as as pessoas que lá habitam ou trabalham e não demorou muito tempo, até perceber que Alfama tem um problema grave de turismo excessivo. Desde as ruas, que já estreitas são, inundadas de grupos de turistas que acabaram de desembarcar de um dos inúmeros cruzeiros que têm como destino Lisboa, até as lojas de recordações todas elas idênticas entre si ou os restaurantes que nem uma ementa portuguesa têm, Alfama vai perdendo a sua originalidade e cultura. Não sendo já suficiente, somam-se todos os turistas que residem em um dos milhares airbnb. Indiferente em que rua estamos, a praga de plaquetas de alojamento local não passa despercebida e realmente faz nos pensar para onde todas estas pessoas que lá viviam tiveram que fugir. Foi assim que surgiu este meu projeto „Progressão“, que visa criar uma ligação entre Alfama e o espectador. Através das imagens de locais e estabelecimentos tradicionais, que sobreviveram até aos dias de hoje e imagens do cada vez mais sufocante turismo, pretendo demonstrar que é necessário preservar e proteger este local tão histórico, através de um turismo mais sustentável. Algo, que nos últimos anos já tem vindo a acontecer, através da limitação de novos registos de alojamento local em várias partes da cidade de Lisboa, não sendo porém ainda suficiente para restabelecer uma percentagem saudável entre pessoas locais e turistas.