Inspirado no projeto, Do you know who I am de Jessica Wolfelsperger, o qual foca na homogeneização da cultura ocidental, nomeadamente no Instagram e outras redes sociais, e a consequente utilização do telemóvel.
Pretendo, através do meu projeto We are addicted, captar e demonstrar a sociedade atual e a sua utilização, de acordo com a minha opinião, excessiva do telemóvel. Inúmeras são as vezes, em que esperamos por algo e o primeiro movimento é o de retirar o telemóvel do bolso. Algo que se tornou tão natural, que até nos assusta, quando não o sentimos no sítio onde o guardamos habitualmente. Espaços públicos, como paragens de autocarros ou estações de metro, são verdadeiras paisagens de indivíduos com um olhar direcionado para baixo. Já não é possível apenas deixar os pensamentos vaguear, sonhar um pouco? Levantar a cabeça para ver o que nos rodeia, ou está tudo o que nos rodeia contido neste dispositivo? Todo o nosso dia-a-dia, está de alguma forma ligado ao nosso telemóvel, o que nos leva a uma dependência extrema do mesmo. Este avanço tecnológico, obviamente não trouxe consigo apenas desvantagens, pelo contrário, permite uma ligação e comunicação com qualquer pessoa, em qualquer sítio do mundo e à hora que quisermos. É porém, muito importante questionarmos a nós próprios, se é mesmo necessário desperdiçar todo este tempo. Sem dúvida, que muitas das vezes é porque necessitamos de fazer algo produtivo, mas existem inúmeras vezes, que comprovam o contrário. Vamos apenas ver uma mensagem e acabamos por permanecer uma hora numa rede social.
Decidi, abordar este projeto de forma diferente a anteriores. Em vez de vaguear pela cidade à procura de momentos, permaneci em lugares e esperei que estes acontecimentos viessem até mim. Ao atuar desta forma e a observar o que me rodeia, compreendi a abundância de pessoas que deambulam pelas ruas sem qualquer noção do que acontece à sua volta, toda a sua atenção está dirigida a um dispositivo. São variadas as situações em que tal acontece, não apenas quando fazemos o nosso percurso diário. Assisti a casais que almoçavam juntos, algo que deveria ser um momento só dos dois, e mesmo assim cada um no seu telemóvel. Outro exemplo, que me chocou, foi uma senhora que estava no parque com o seu filho. Este, que rodeava os 3 anos de idade, brincava na relva. A sua mãe, em vez de apreciar tais momentos, numa idade tão única do seu filho, estava mais interessada no telemóvel. Aparenta que, independentemente da situação, há sempre algo mais importante a acontecer no nosso ajudante artificial.
Todos nós necessitamos do telemóvel para lidar com as tarefas do dia-a-dia, porém acho importante restringir o uso deste a certas situações. É essencial observar o que nos rodeia, erguer a cabeça, de maneira a apreciar o mundo em que vivemos e as pessoas com as quais decidimos passar tempo. Utilizar o dispositivo móvel e todos os seus benefícios, mas não esquecer de viver no mundo real.